E tão logo ao entardeceres, ouço aquela melodia
da ausência, entre meus cálices, os licores azuis...
Revolta a gaivota ao céu, e dez violinos de cedro
chorando por alamedas, compondo as labaredas...
Páginas e lágrimas, lembro quintais dos outonos
onde o verso despia em colo a rima... obra-prima...
Das catedrais de mármores levantam lembranças
fatos e fotografias, e tardes daquelas esperanças...
Os álamos agora serão quadros, emoldurados em
paredes de cores frias, notas ocultas às ventanias...
E tão logo ao entardeceres, ouço aquela melodia
da ausência, entre meus cálices, os licores azuis...
PAMPOETA

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