quarta-feira, 13 de agosto de 2014




E ouço nas noites os pêndulos, nos dias as cotovias 
Mares, maresias, aves ao céu, o amor sem beira-mar...
E intercalam as montanhas, o meu silêncio profundo
Alguns minutos, pausa e minhas lágrimas ao mundo...

E minh'alma em segredo, corta o vento como a faca 
Um destino pelas flores de pedras e a solitária valsa...
As cortinas são de cores cinza e a parede tem sede
Palavras em multidão não dizem nada, vida castrada...

E tantos álamos enfileirados entre tristonhos girassóis
Desencantos dos valentes nos recantos dos arrebóis...
Naquele rio escorreu a lua, sem face e sem pele, nua
As estradas são de ferro e a estadia do dia, sim crua...

E ouço nas noites os pêndulos, nos dias as cotovias 
Mares, maresias, aves ao céu, o amor sem beira-mar... 

PAMPOETA

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