E ouço nas noites os pêndulos, nos dias as cotovias
Mares, maresias, aves ao céu, o amor sem beira-mar...
E intercalam as montanhas, o meu silêncio profundo
Alguns minutos, pausa e minhas lágrimas ao mundo...
E minh'alma em segredo, corta o vento como a faca
Um destino pelas flores de pedras e a solitária valsa...
As cortinas são de cores cinza e a parede tem sede
Palavras em multidão não dizem nada, vida castrada...
E tantos álamos enfileirados entre tristonhos girassóis
Desencantos dos valentes nos recantos dos arrebóis...
Naquele rio escorreu a lua, sem face e sem pele, nua
As estradas são de ferro e a estadia do dia, sim crua...
E ouço nas noites os pêndulos, nos dias as cotovias
Mares, maresias, aves ao céu, o amor sem beira-mar...
PAMPOETA

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