sábado, 19 de julho de 2014





Ocultei as palavras naqueles dias de sombras
Onde as valsas das almas calaram os violinos
As notas inadequadas aos pianos em desafino

E naquelas taças os vinhos que não bebemos
E naquelas tardes as praças que não vivemos
Daquele culto dominical sem causas e efeitos

O sol daqui alarde em tecidos de peles alvas
Álamos enfileirados entre aves das mármores
Amores decompostos os acrílicos sem salvas

Ecoaram lágrimas vermelhas paridas em lagos
Poemas escritos nas areias longe das aldeias 
E alguns pergaminhos enrolados e amarelados

As notas inadequadas aos pianos em desafino
Ocultei as palavras naqueles dias de sombras
Onde as valsas das almas calaram os violinos


PAMPOETA

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